
Alguns dos textos mais líricos que publicamos aqui neste triste caderno, vêm directos da pena do nosso Druída, um homem das letras e das chaves umbrako (chábes um buraco). Pela sua mão, a operação mecânica mais simples ganha contornos épicos.
Normalmente as dinamarquesas do Departamento de Marketing ainda passam os olhos pela sua prosa antes de a publicarem, mas, rendidas ao seu charme (como não é duende, tem-no a rodos), são meiguinhas com a tesoura.
Vem isto a propósito da Motobecane do André, retratada ali em cima, uma pérola dourada que recentemente passou pela oficina da Megastore dos Anjos.
Ora portantos, damos aqui a palavra ao Druída.
“Esta é a Motobecane do André Alves, um alegre rapaz que decidiu, num sábado solarengo, dar um passeio de bicicleta. Por mercê do destino, acabou por passar em frente à loja onde as pessoas mais apreciam a sua bicicleta.
Após o espasmo inicial causado pela surpresa de quem vê à sua frente algo de grande esplendor e ainda mais potencial, os duendes dos anjos limparam a baba pendente e após partilha de estórias, encontraram a melhor maneira de tornar a menina do André não apenas numa bicicleta ainda mais linda, mas também mecanicamente mais fiável.
Trocou-se o antigo eixo pedaleiro original de cavilhas com as folgas que o tempo atribuí, por um de rolamentos selados de estabilidade absoluta. Além de correcção da coaxilidade da rosca foi também feita a conversão da rosca francesa para inglesa.
Para não fugir do aspecto original, o pedaleiro instalado é clássico, mas de encaixe quadrado. Um destes dias, o André voltou à loja para a instalação do guarda corrente da Velo Orange, um must das Megastores. Está prometida uma visita futura, para a instalação de um sistema de iluminação clássico.
E por cá aguardaremos com saudades da Motobecane dourada… e do André.”
Voltando a palavra à dinamarquesa de serviço, refere-se como curiosidade, que está uma irmã desta Motobecane na oficina do MMM à espera de um novo dono. Igual em tudo, mas de quadro fechado.